sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Querer


Não
te quero senão porque te quero

E de querer-te a não querer-te chego
E
de esperar-te quando não te espero

Passa meu coração do frio ao
fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e
odiando-te rogo,

E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e
amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio
cruel, meu coração inteiro,

Roubando-me a chave do sossego.
Nesta
história só eu morro

E morrerei de amor porque te quero,
Porque te
quero, amor, a sangue e a fogo.


 (Pablo Neruda)

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